Asma brônquica é uma doença inflamatória crônica caracterizada por hiper-responsividade das vias aéreas, limitação variável do fluxo aéreo, reversível espontaneamente ou com tratamento, cuja prevalência vem aumentando nas últimas décadas. As células estruturais, especialmente as células epiteliais das vias aéreas e as células dos músculo liso das vias aéreas, também podem liberar mediadores inflamatórios que desencadeaiam e perpetuam a inflamação. Muitos ( > 100 ) mediadores foram implicados na asma, incluindo mediadores lipídicos, como os leucotrienos, prostaglandina D2, citocinas e quimiocinas que atraem células inflamatórias como células TH2 e eosinófilos até as vias aéreas. Na asma grave, células TH17 também podem estar envolvidas e ligadas à inflamação neutrofílica.

Sob o ponto de vista clínico, pode se manifestar através de simples episódios de tosse até acessos recorrentes de severa dispneia, podendo, inclusive, determinar a morte. Esta doença acomete pessoas de qualquer faixa etária, todas etnias e classes sociais em todos os países.

Para melhor conhecimento da doença contribuíram vários segmentos das ciências fundamentais ligadas à medicina tais como: a biologia celular e molecular, citologia, genética molecular, bioquímica, fisiologia, farmacologia e a imunologia, base fundamental da alergia. A introdução de novas tecnologias provocou uma revolução em conceitos. Alguns mudaram, novos surgiram, alterando e acelerando os rumos das investigações, ampliando-se largamente a base de conhecimentos sobre a doença.

Embora as informações sobre muitos aspectos da asma tenham aumentado nas últimas décadas, as causas fundamentais da doença ainda não são conhecidas.

Este portal sobre Asma Brônquica está dividido em duas partes; a primeira tem como propósito fornecer informações ao público leigo, aos pacientes com asma e seus familiares; a segunda é dedicada aos profissionais da área de saúde, através de 90 tópicos que abordam desde a definição e os mecanismos básicos do processo inflamatório implicados na biopatologia até as formas de tratamento e manejo clínico da doença.

 

Sôbre a Asma:

- A asma é um problema mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 235 milhões sofrem da doença. 70 % também são pessoas alérgicas, sendo que 60% são crianças. Na segunda metade do século XX, no ocidente, a asma foi a única doença crônica tratável que aumentou em prevalência e em número de internações. Em 2015 foram relatadas no mundo 338.000 mortes por asma.1

- A asma ainda é muitas vezes sub-diagnosticada e sub-tratada, criando um problema substancial para os indivíduos e suas famílias.

- A asma pode começar em qualquer idade, mas muitas vezes começa na infância. Nos Estados Unidos pelo menos 1 em cada 12 crianças em idade escolar 2 e 1 em cada 20 adultos, têm asma. No Brasil a prevalência de asma é muito alta entre adolescentes.

- A asma é a doença crônica mais comum entre as crianças e a maior causa de absenteísmo escolar.

- No Brasil o número absoluto de mortes relacionadas com a asma em 2014 foi de 2.096,3 sendo ainda a terceira causa de morte em crianças e adultos jovens. Muitas dessas mortes são evitáveis com tratamento e cuidados adequados.

- Os adultos são quase quatro vezes mais propensos do que as crianças a morrer por asma.4

- A asma causa forte consequência incapacitante com magnitude semelhante à osteoartrite, diabetes, esquizofrenia e cirrose hepática.

- A asma é mais comum em mulheres adultas do que em homens adultos. Por outro lado, é mais comum em crianças do que em adultos e mais comum em meninos do que em meninas.5,6

- A fumaça do cigarro é também importante fator que contribui para a gravidade da asma,7 atuando através do aumento da resistência dos pacientes aos corticoides,8 determinando mais sintomas, exacerbações mais frequentes e mais severas.9,10

- Segundo o DATASUS do Ministério da Saúde do Brasil, o número de internações cai em números absolutos. Em 2009 ocorrem 160.000 internações por asma, constituindo-se na quarta causa de hospitalizações pelo Sistema Único de Saúde considerando-se todos os grupos etários.11 No ano de 2013 foram relatadas 120.000 internações.12 De acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), em 2014 aconteceram 105 mil internações devidas à doença. A prevalência global de asma no Brasil oscila em ~10% afetando 20 milhões de pessoas.

 

Autor: Dr. Pierre d'Almeida Telles Filho  Politica de Privacidade  Politica Editorial

Última Atualização: 29/05/2018

Nós aderimos aos princ?pios da charte HONcode da Fondation HON Nós aderimos aos princípios da carta HONcode.
Verifique aqui.

     
     

Referências:

01.World Health Organization. 10 facts on asthma. 2017.URL: http://http://www.who.int/features/factfiles/asthma/en/. (Arquivo capturado em 20 de novembro de 2017).

02.United States Environmental Protection Agency. Asthma Facts. May 2017. https://www.epa.gov/sites/production/files/2017-08/documents/2017_asthma_fact_sheet.pdf. (Arquivo capturado em 15 de dezembro de 20117).

03.Graudenz GS, Carneiro DP, Vieira RP. Tendências da mortalidade da asma nas faixas etárias de 0 a 4 anos e 5 a 34 anos no Brasil. J Bras Pneumol 2017;43:24-31.

04. Centers for Disease Control and Prevention. Most Recent Asthma Data. http://www.cdc.gov/asthma/most_recent_data.htm. (Arquivo capturado em 15 de dezembro de 20117).

05. Dodge RR, Burrows B. The prevalence and incidence of asthma and asthma-like symptoms in a general population sample. Am Rev Respir Dis 1980;122:567.

06.Broder I, et al. Epidemiology of asthma and allergic rhinitis in a total community Tecumesh, Michigan: III. Second survey of the community. J Allergy Clin Immunol 1974; 53:127.

07.Brinke A, Zwinderman AH, Sterk PJ, Rabe KF, Bel EH. Factors associated with persistent airflow limitation in severe asthma. Am J Respir Crit Care Med 2001; 164: 744.

08.Thompson NC, Spears M. The influence of smoking on the treatment response in patients with asthma. Curr Opin Allergy Clin Immunol 2005; 5: 57.

09.Silverman RA, Boudreaux ED, Woodruff PG, Amargo CA Jr. Cigarette smoking among asthmatic adults presenting to 64 emergency departments. Chest 2003; 123: 1472.

10.Busselton Health Study: the effects of asthma and cigarette smoking. Am J Respir Crit Care Med 2005; 171: 109.

11.Ministério da Saúde do Brasil. (Datasus). Fonte:Departamento de Informática do SUS - DATASUS, órgão da Secretária Executiva do Ministério da Saúde. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/miuf.def (Arquivo capturado em 12 de maio de 2012).

12. Cardoso TA, Roncada C, Silva ER, Pinto LA, Jones MH, Stein RT et al. Impacto da asma no Brasil: análise longitudinal de dados extraídos de um banco de dados governamental brasileiro. J Bras Pneumol 2017;43:163-168.